Mass Effect 3: Controvérsia Justificada, Mas Será Que…?

Em meio aos debates do encerramento da saga, surge uma nova questão.

Mass Effect, o rpg-épico-espacial-cheio-de-decisões da Bioware certamente dispensa apresentações para quem acompanha a cena atual de videogames e desde o início teve como uma de suas principais características algo muito querido aos gamers atuais: liberdade de escolha.

Liberdade essa que te permitia resolver um variado número de situações com um também sem-fim número de soluções. Desde socar um personagem, assim, sem mais nem menos até resolver tudo de forma mais diplomática. Ok, ponto pra eles aí. Mas o quanto dessas escolhas afetaria, de fato, a conclusão da trilogia?

Levando em conta a reação de boa parte dos fãs, parece que nem tanto assim. Muito tem se falado sobre o final “desolador” da saga e, pelo que pude entender até então, não era exatamente o que o público estava esperando.

Expectativas são complicadas, especialmente em uma indústria tão diversa quanto a dos jogos, em que até a mudança da paleta de cores de um personagem pode gerar ódio de fanboys que espreitam por aí. Mas o quão justificada é a controvérsia em torno da conclusão da saga de Shepard?

Como jogador relapso que sou, nem tenho opinião formada sobre o final, já que até hoje não tive lá muito tempo pra terminar nem o primeiro jogo da série (jogos demais, tempo de menos). Então talvez não seja a pessoa mais indicada pra falar de pormenores. Mas independente de ter jogado tudo ou não, entendo a frustração de boa parte dos jogadores, o que não quer dizer que eles estejam certos.

Querer mudar o final de algo que já está lá me parece inacreditavelmente errado e toda a movimentação para que a empresa reescreva o encerramento da série é, sendo bem-educado, patética. Talvez seja o reflexo de uma geração que em pouco tempo ficou um tanto quanto mimada com o nível absurdo que a jogatina atual atingiu em poucos anos, sei lá. Teorias não faltam.

Nisso tudo, tem uma lição muito importante que provavelmente está sendo deixada de lado: nem sempre o que importa é a conclusão, o encerramento de uma história. Mas sim a jornada até lá. E quem nega as sabe lá quantas horas de diversão que por si só foram depositadas no título?

O problema é que existe uma miríade de outros fatores nessa equação, dentre os quais, um que me parece mais grave do que todos: aparentemente suas escolhas no decorrer da saga não causam tanto impacto no resultado quanto deveriam.

E é isso que a Bioware deveria tentar resolver ou esse deveria se tornar o centro da crítica. Afinal, como tornar as experiências e decisões dentro do jogo mais impactantes, como criar um senso de responsabilidade para cada opção de diálogo? Isso sim parece ser tema para um debate muito mais valoroso (e complicado) do que o atual.

O final está lá, quer queiramos ou não e nada mais pode ou deve ser feito nesse sentido, inclusive em respeito ao trabalho mastodôntico que deve ser dar algum senso de encerramento a um único produto que gerou dezenas de outros, incluindo aí DLCs, livros e sabe deus mais o que.

Mas fica aqui uma questão em aberto: quantas de minhas escolhas dentro de um jogo são realmente minhas e não direcionadas pelos roteiristas? E o quanto elas deveriam afetar a experiência? É de se pensar.

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